sexta-feira, 16 de julho de 2010

LEITURA

As pessoas que, desgostosas e decepcionadas, não querem ouvir falar em política, recusam-se a participar de atividades sociais que possam ter finalidade ou cunho políticos, afastam-se de tudo quanto lembre atividades políticas, mesmo tais pessoas, com seu isolamento e sua recusa, estão fazendo política, pois estão deixando que as coisas fiquem como estão e, portanto, que a política existente continue tal qual é. A apatia social é, pois, uma forma passiva de fazer política.

Marilena Chaui




Política, uma arte milenar

Por Dalva Dias Magalhães

O tempo é companheiro da esperança. Esta, perdida em horizontes longínquos remonta à memória de um povo sem história. Povo ordeiro, gente simples perdida no anonimato de sua função. Povo esse cuja nobreza de caráter traduz um sentimento de repugnância quando lesado em seus direitos sociais. Esse mesmo povo abomina a política, mas é governado pelos que dela vivem; pouco entende desse sistema neoliberal, mas é a principal vítima dos desequilíbrios da economia.

Tolhido em sua dignidade, tenta compreender o processo de condução do país e a genialidade de seus representantes no ato da manipulação e na defesa de seus interesses eleitoreiros.

Assim, diante de um salário de fome, vai esmerilando seu dia de aço, enxada, papel, carvão,etc. São mãos trabalhadoras, que laboram a terra, enfrentam o trânsito caótico das grandes metrópoles, pendurados por sobre os trilhos, enjaulados dentro dos metrôs; mãos vazias de esperança.Essas vidas não cabem nas convenções, nas assembléias, nos conchavos. E assim, da política só conhece promessas vãs, medíocres, covardes. Promessas que comprometem o seu tempo, o seu presente, o seu sonho.

Para reconstruir esse sonho, vai virando a página da história, tentando resgatar a esperança perdida, adquirindo novas maneiras de encarar esse processo vil, do qual é o principal alvo. Felizmente já consegue questionar teorias tidas como verdades absolutas e organiza novas formas de defesa e convivência social. E dentro do seu espaço, reconstruindo sua história, essa gente conseguirá sobreviver a mais um período eleitoral. Renegará veementemente as maldades camufladas dos candidatos, porque sabe como ninguém, que a guerra pelo poder não tem preço e nessa batalha omite-se a prática de qualquer virtude.

Esse é o povo brasileiro que se une para conspirar contra a politicagem. Para exigir dos candidatos que não violem o mais inviolável dos seus direitos, algo simples e muito nobre, chamado respeito.

Como dizia o imortal Drummond: “O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”

quinta-feira, 15 de julho de 2010

País caminha para índice inédito de emprego forma

Pochmann: País caminha para índice inédito de emprego formal
Elza Fiúza/Agência Brasil

Para Pochmann, geração de 1,5 milhão de empregos formais sinaliza que o Brasil saiu mais forte da crise financeira internacional
Ana Cláudia Barros


O Brasil criou cerca de 1,5 milhão de empregos formais nos primeiros seis meses de 2010. A estimativa é do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que divulga, nesta quinta-feira (15), em Brasília, os números relativos a junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Na análise do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, o desempenho do primeiro semestre, considerado histórico, sinaliza, em primeiro lugar, que o País conseguiu sair mais forte da crise financeira internacional, que atingiu o mundo entre 2008 e 2009.

- Em segundo lugar, significa que os empregos estão não apenas sendo impulsionados pela capacidade instalada, que havia sido reduzida em função da crise. Mais do que isso: vêm sendo puxados pelos novos investimentos.

Sobre as projeções do ministro Lupi, que espera fechar 2010 com com 2,5 milhões de contratações com carteira assinada, Pochmann considera a estimativa factível.

- Nós trabalhamos na passagem do ano passado para este, com o número de 2 milhões, mas a expectativa de crescimento da economia nacional não era como está agora. Portanto, dada a evolução até o momento, esse novo ritmo, é bastante provável que nós tenhamos um universo de empregos gerados acima de 2 milhões, aproximando-se dos 2,5 milhões.

Mais do que expressivo, segundo o economista, o número é inédito na história do Brasil. Na prática, significa dizer que, a cada dez postos de trabalhos gerados, nove já são formais, conforme explica o presidente do Ipea.

- Desde a introdução da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que não havia se registrado experiência como essa. Isso acontece depois de toda a avalanche de argumentos, nos anos 90, de que o Brasil não geraria empregos com carteira assinada porque a CLT estava ultrapassada e impossibilitava isso.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Centrais sindicais lançam o manifesto “Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores"

Documento contesta declarações de que Serra criou o FAT e tirou do papel o seguro-desemprego, e acrescenta: "Não fez nenhuma coisa e nem outra"

Denominado “Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores”, o manifesto da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) denuncia o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, que tem se apresentado como um benemérito da classe trabalhadora.

O documento das centrais sindicais credita como mentirosas as declarações de Serra veiculadas nas emissoras de rádio e televisão, de que o candidato tucano foi o responsável pela criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e por tirar do papel o seguro-desemprego. E acrescenta: “Não fez nenhuma coisa, nem outra. Aliás, tanto no Congresso Nacional quanto no governo de Fernando Henrique Cardoso, a marca registrada de José Serra foi atuar contra os trabalhadores”.

As centrais sindicais avaliam ser fundamental que a população seja informada, para que dimensione o tamanho da falsidade que vem sendo divulgada pelo PSDB. Em outro trecho, o manifesto afirma: “A verdade é que o seguro-desemprego foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores”. No caso do FAT, o documento esclarece que o benefício foi criado pelo projeto de lei nº 991, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB/RS). E mais: “Um ano depois, Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/89), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Jorge Uequed já havia sido aprovado”.

O manifesto da CUT e de outras centrais sindicais lembra que, na Assembleia Nacional Constituinte de 1987/1988, o candidato tucano votou reiteradamente contra os trabalhadores. Ou seja: Serra não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo, não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário, não votou para garantir 30 dias de aviso prévio, não votou pelo aviso prévio proporcional, não votou pela estabilidade do dirigente sindical, não votou pelo direito de greve, não votou pela licença-paternidade e não votou pela nacionalização das reservas minerais.

No documento, as centrais sindicais dizem que o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) deu nota 3,75 para o desempenho de Serra na Constituinte. Já em 1994, por ocasião da Revisão Constitucional, o candidato tucano à Presidência da República apresentou a proposta nº 16.643, para permitir a proliferação de vários sindicatos por empresa, cabendo ao patrão decidir com qual sindicato pretendia negociar. Mais outras coisas: como governador de São Paulo, Serra reprimiu a borrachadas e gás lacrimogêneo os professores que estavam reivindicando melhores salários, jogou a tropa de choque contra a manifestação de policiais civis que reivindicavam aumento de salário (o menor salário do Brasil na categoria) e arrochou o salário de todos os servidores públicos paulistas.

O manifesto, por fim, afirma o seguinte: “As centrais sindicais estão unidas em torno do programa de desenvolvimento nacional aprovado na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com a participação de mais de 25 mil lideranças sindicais, contra o retrocesso e para permitir a continuidade do projeto que possibilitou aumento real de 54% do salário mínimo nos últimos sete anos, geração de 12 milhões de novos empregos com carteira assinada, fim das privatizações, descoberta do pré-sal e retirada de mais de 30 milhões de brasileiros da rua da amargura”.