domingo, 6 de junho de 2010

Deputado Paulo Pimenta visita a ASUFPel nesta segunda-feira

Deputado Pimenta analisa segurança pública e diploma de jornalismo em encontros nas cidades de Rio Grande e Pelotas

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) percorre os municípios do litoral sul do RS, nessa semana, onde realiza palestras nas cidades de Rio Grande e Pelotas. Na próxima segunda (7), pela manhã, o petista, que é relator da CPI da Violência Urbana na Câmara dos Deputados, reúne-se com o Grupo de Trabalho sobre Segurança da FURG para dar detalhes da tramitação do Projeto de Lei 4863.

Esse PL, de autoria do deputado Pimenta, institui o adicional por atividade de risco para os vigilantes de Instituições Federais de Ensino Superior, Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia – IFETS, Escolas Técnicas Federais - ETFs, Escolas Agrotécnicas Federais – EAFs, Escolas Técnicas vinculadas às Universidades Federais e de Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica.

Às 14h o deputado estará na ASUFPel, em reunião com os vigilantes, aposentados e motoristas. A reunião é aberta a todos os interessados.

Às 16h, na Câmara Municipal de Vereadores de Pelotas, o relator da CPI da Violência Urbana na Câmara dos Deputados participa de uma audiência sobre segurança pública no Brasil. Na palestra, Pimenta apresentará o relatório do Sistema Carcerário Brasileiro, estudo feito nos 27 estados brasileiros e que revelou a superlotação dos presídios, os custos sociais e econômicos desses estabelecimentos, a permanência de encarcerados que já cumpriram a pena, a corrupção e as atividades do crime organizado nessas instituições de reclusão.

Já às 19h15, Pimenta fará uma palestra para o curso de jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). No painel denominado "A obrigatoriedade do diploma de jornalismo: perspectiva e debate", Pimenta falará sobre as implicações da decisão do Supremo Tribunal Federal que acabou com a exigência da formação em curso superior de jornalismo para o exercício desta atividade profissional no país.

O deputado Paulo Pimenta é o autor da chamada PEC dos Jornalistas, Proposta de Emenda à Constituição que restabelece a obrigatoriedade do diploma. A PEC dos Jornalistas deve ser votada no plenário da Câmara dos Deputados até o final deste ano.



GABINETE DEPUTADO FEDERAL PAULO PIMENTA

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Crise traz de volta ao país 400 mil "expatriados"

Luciano Máximo, Gustavo Faleiros e Stela Campos, de São Paulo, Londres e Madri

Atingidos pela crise nos Estados Unidos e na Europa e atraídos pelo bom momento brasileiro, milhares de pessoas que haviam sido "expatriadas" pelas crises do Brasil estão de volta ao país. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estima que retornaram nos últimos anos aproximadamente 400 mil, cerca de 13% dos 3 milhões que viviam e trabalhavam fora do país, .

Aloysio Gomide Filho, chefe da Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior do Itamaraty, diz que 60 mil trabalhadores brasileiros no Japão retornaram desde o início da crise mundial, cerca de 20 mil aproveitando a ajuda do governo japonês de US$ 3 mil a decasséguis desempregados que escolhessem deixar o país oriental.

A socióloga Sueli Siqueira, professora da Universidade do Vale do Rio Doce, lembra que a crise mundial afetou profundamente o mercado imobiliário, que absorve grande parte da mão de obra estrangeira nos países ricos. A recessão nesses países fez com que a taxa de desemprego médio subisse de 5,8% antes da crise para os atuais 8,4%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Informações do governo americano dão conta de que 850 mil imigrantes irregulares deixaram o país entre 2008 e 2009.

Na Espanha, que vive o auge de sua crise atualmente, mais de 1 milhão de espanhóis estudam português em busca de alguma oportunidade de emprego no Brasil, segundo pesquisa do Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS). A Casa do Brasil, instituição fundada pelo governo brasileiro nos anos 60, em Madri, como um colégio maior dedicado ao ensino da língua portuguesa e da cultura brasileira, registra um aumento em torno de 30% nas matrículas, desde outubro do ano passado.

terça-feira, 1 de junho de 2010

British Petroleum: a sombra de Chernobyl

Por Alejandro Nadal*, do La Jornada

Muito comparam, erradamente, o desastre no Golfo do México ao derrame do petroleiro Exxon Valdez, em 1989, no Alasca. Na realidade, nem a British Petroleum nem o governo dos EUA poderão cobrir o custo desta tragédia. Infelizmente, devido à sua extensão e duração, o parâmetro de comparação mais adequado para essa tragédia é o que aconteceu em Chernobyl. O artigo é de Alejandro Nadal, do La Jornada.

A British Petroleum garante que pagará os custos do desastre no Golfo do México. Mas o poço continua sem controle, jorrando diariamente milhares de barris de petróleo e gerando o pior desastre petrolífero da história suja dessa indústria. Na realidade, nem a BP nem o governo dos Estados Unidos poderão cobrir o custo desta tragédia, que muitos comparam erradamente ao derrame de Exxon Valdez no Alasca, em 1989. Infelizmente, devido à sua extensão e duração, o parâmetro de comparação mais adequado é Chernobyl.

Quando um navio tanque encalha e começa a verter a sua carga, sabemos pelo menos quantos milhares de barris transporta. Mas, no caso do desastre da plataforma Deepwater Horizon, desconhece-se a quantidade que será derramada. Tudo vai depender das operações de encerramento do poço que, segundo dados da BP, produz uns 5 mil barris diários. Outros cálculos, talvez mais realistas, situam esta cifra em cerca de 25 mil barris diários. Até hoje, os esforços para controlar a catástrofe foram inúteis, e encerrar o poço pode demorar semanas. Mesmo aceitando os dados conservadores da petrolífera, o derrame do Golfo do México encaminha-se velozmente para ultrapassar o de Exxon Valdez (250 mil barris).

A plataforma Deepwater Horizon foi construída em 2001 nos estaleiros da Hyundai, em Ulsan, Coreia. Esta estrutura flutuante com pontões e tanques de balastro nas suas gigantescas colunas foi desenhada para efectuar perfurações em águas muito profundas. Estava dotada de um sistema de geoposicionamento dinâmico que lhe permitia permanecer fixa relativamente a um ponto no fundo do mar. Esta tecnologia utiliza sensores de correntes e de ventos para activar os motores que permitem à plataforma permanecer fixa no mar. A georreferência é proporcionada por um ou mais giroscópios e todo o sistema é coordenado por computador.

Em Setembro de 2009, a Deepwater Horizon perfurou o poço submarino mais profundo do mundo, com cerca de 10.700 metros (dos quais 1.260 correspondem à coluna de água). Em poucas palavras, esta é a tecnologia mais avançada em matéria de perfurações em águas muito profundas.

As empresas que detêm plataformas na zona económica exclusiva dos Estados Unidos, no Golfo do México, sempre fizeram alarde da sua capacidade tecnológica e da probabilidade muito reduzida de acidentes com derrames. Por isso sempre afirmaram que, mesmo no caso de um derrame, as consequências ambientais e noutras atividades econômicas (pesca, turismo) seriam pequenas, temporárias e fáceis de reparar.

Quando ocorreu a explosão e o incêndio, a plataforma operava a cerca de 80 km a sudeste do delta do rio Mississipi. O seu trabalho consistia em dar os toques finais no poço, preparando o revestimento de cimento que deveria permitir a sua exploração comercial. A origem da explosão continua a ser desconhecida mas, tal como em Chernobyl, a reação inicial dos responsáveis (BP e entidades reguladoras) foi minimizar as consequências do acidente.

A 31 de Março, Obama anunciou que a sua administração abriria milhões de quilómetros quadrados à exploração e perfuração submarinas no Golfo do México, no litoral atlântico dos Estados Unidos e no norte do Alasca. Não se sabe quanto óleo pode existir nas jazidas submarinas das zonas abertas à exploração, mas os dados geológicos indicam que, no melhor dos casos, só chegariam para cobrir o consumo norte-americano durante um ano. Estamos a falar de uma quantidade ridícula em troca de um prejuízo ambiental extraordinário.

No litoral dos Estados Unidos relativo ao Golfo do México operam 3.858 plataformas de perfuração submarina. Mas todas essas plataformas petrolíferas contribuem apenas com 1,6 milhões de barris diários para o consumo dos Estados Unidos, que ultrapassa os 19,5 milhões de barris diários. Os Estados Unidos não atingirão a autonomia energética através da abertura de novos campos ao desastre ambiental.

O paralelismo com a indústria nuclear tem outro componente: a limitação da responsabilização dos responsáveis pelo desastre. A legislação federal nos Estados Unidos estabelece que a BP deverá pagar os custos da reparação, mas limita a sua responsabilidade por danos econômicos a apenas 75 milhões de dólares, uma migalha. A esse respeito, a BP deverá receber a factura do custo das operações, mas quem pagará o prejuízo dos ecossistemas destruídos?

O Torrey Canyon, o primeiro navio tanque que, em 1967, encalhou e derramou o seu carregamento diante da costa da Inglaterra, transportava 120 mil toneladas de óleo. O barco, partido a meio, chegou a ser bombardeado com 3 mil galões de napalm, numa tentativa de queimar o petróleo e evitar o derrame. Operação inútil, evidentemente, mas um bonito exercício de tiro ao alvo para a Royal Navy. Um exemplo edificante de como se podem resolver os problemas que nos coloca a tecnologia moderna.

Tradução de Helena Pitta

*Alejandro Nadal é membro do Conselho Editorial de SINPERMISO.