Na Paris de 1970, Anna de la Mesa (interpretado pela brilhante Nina Kervel-Bey), tem 9anos e é uma perfeita lady. Adora ensinar aos primos mais novos a maneira correta de saborear uma laranja com garfo e faca, ensaia a maneira correta de segurar uma taça de champagne. Seu pequeno universo é formado pelo colégio católico — habitado por várias outras pequenas damas como ela —, pela escola de natação e pela linda casa ajardinada onde mora com os pais, o irmão mais novo e a babá, uma exilada cubana. Mas toda essa harmonia é quebrada com a chegada da tia e da prima de Anna, que fugiram da Espanha após o assassinato do tio, um militante contra a ditadura de Franco. O pai, vivido por Stefano Accorsi, é um advogado espanhol que vive na França desde jovem. A morte do cunhado e a efervescência política da época (entre 1970 e 1971) levam o pai de Anna a rever seus princípios.
Ele deixa o emprego, troca a casa por um pequeno apartamento e passa a atuar como intermediário do movimento para eleger Allende presidente do Chile. A mãe, interpretada por Julie Depardieu (filha de Gerard Depardieu), deixa seu posto como jornalista da revista "burguesa Marie-Claire" para escrever um livro-reportagem em prol do direito feminino à contracepção. A babá cubana, anticomunista até o último fio de cabelo, é substituída por uma série de militantes estrangeiras, que buscam abrigo na França. Elas não têm grande jeito para o cardápio das crianças e inovam com pratos gregos e sul-americanos.
O novo apartamento vive cheio de pessoas estranhas: "os barbudos" chilenos amigos de seu pai e um monte de mulheres chorosas, que dão depoimentos para o livro que a mãe irá escrever. Além disso, a garota passa a dividir um beliche com o irmão François e é proibida de assistir às aulas de religião — condição colocada pelos pais para que ela possa permanecer no colégio católico, de onde se recusou a sair. Dividida entre a realidade conservadora da escola e a complexidade das mudanças que, acima de tudo, afastam os pais de seu dia-a-dia, Anna se rebela.
Os pais se desdobram para lhe mostrar a importância do momento histórico, ao mesmo tempo em que tentam se convencer de estarem no caminho certo. A pequena Anna desafia o tempo todo com as convicções dos militantes e com a convivência, amplia sua visão de mundo.
A Culpa é do Fidel foi adaptado do romance Tutta Colpa di Fidel, da jornalista italiana Domitilla Calamai que, assim como a diretora do filme, cresceu num lar comunista. O filme é bem-humorado, com tiradas inteligentes e engraçadíssimas, e é esplendidamente fotografado, tem ótimos diálogos, cenas densas, impactantes e divertidas, e um elenco de primeira, a começar por Nina Kervel-Bey , escolhida entre 1000 crianças. Longe de ser um panfleto a favor ou contra o comunismo, o filme nada mais é do que uma brilhante história sobre Anna aprendendo a crescer e descobrindo que o mundo não é só preto ou branco.
Mas o grande feito de Julie Gavras é retratar uma trajetória pessoal emocionante sem jamais ser piegas. A prova disso é a cena final, brilhante — que embora dura e aborrecida, a "infância comunista" tem o grande mérito de infundir em algumas de suas "vítimas" um senso de contestação para lá de bem-vindo. Julie Gavras realizou um trabalho emocionante, que toca de forma profunda seu objeto de estudo e destinação: o humano.
Sugestão retirada do blog:lisanunes.blogspot.com
Blog da Associação dos Servidores da Universidade Federal de Pelotas, criado pela Coordenação de Divulgação e Imprensa, com o objetivo de interagir diretamente com o associado e a comunidade em geral, debatendo assuntos não só de interesse da categoria, mas de toda sociedade, de forma crítica e participativa.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
CURTAS
"Fiz uma dieta rigorosa, cortei o álcool, gorduras e açucar. Em duas semanas, perdi 14 dias." Tim Maia
"Se você decide parar de fumar, de beber e de fazer amor, na verdade você não vive mais tempo; é a vida que lhe parece mais longa." Sigmund Freud
"As nuvens são como chefes... Quando desaparecem, o dia fica lindo." Anônimo
"O Brasil é o único país onde prostituta tem orgasmo, cafetão tem ciúme e traficante é viciado." Tim Maia
"Não fumo, não bebo, não cheiro,mas às vezes, minto um pouquinho".Tim Maia
"Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia." Jânio Quadros
"Só não crio juízo porque não sei o que ele come." Anônimo
"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima." Anônimo
"Se você decide parar de fumar, de beber e de fazer amor, na verdade você não vive mais tempo; é a vida que lhe parece mais longa." Sigmund Freud
"As nuvens são como chefes... Quando desaparecem, o dia fica lindo." Anônimo
"O Brasil é o único país onde prostituta tem orgasmo, cafetão tem ciúme e traficante é viciado." Tim Maia
"Não fumo, não bebo, não cheiro,mas às vezes, minto um pouquinho".Tim Maia
"Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia." Jânio Quadros
"Só não crio juízo porque não sei o que ele come." Anônimo
"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima." Anônimo
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
CAI MAIS UM MITO NEOLIBERAL - Por Márcio Pochmann
A crise mundial impõe forte derrota à ideologia neoliberal, que reinou solitária durante a dominação do pensamento único. Da mesma forma, os mitos construídos pela ideologia neoliberal vão caindo sistematicamente quando submetidos à luz da realidade.
Por algum tempo perdurou não somente no Brasil, pois esteve repetida globalmente, a máxima de que o Estado era o lócus da improdutividade e ineficiência, enquanto somente ao setor privado cabia a maximização da eficiência. Sem apresentar estudos com informações consistentes, a ideologia levou ao máximo o programa de privatização e desmonte do Estado.
O recente comunicado da presidência do IPEA (n. 27) comprova que não há base real para qualquer afirmativa definitiva a respeito da improdutividade do Estado brasileiro. Pelo contrário pois, segundo o próprio comunicado, a medida de produtividade na administração pública em 2006 foi 14,7% superior à verificada em 1995.
No setor privado, os ganhos de produtividade foram 13,5% maiores no ano de 2006 quando comparados com 1995. Ou seja, a produtividade na administração pública cresceu um ponto percentual a mais que a do setor privado no período considerado.
Em síntese, verifica-se que a produtividade na administração pública apresentou-se mais do que compatível com o aumento das contratações dos ocupados pelo Estado. Após a queda da produtividade na administração pública em relação à do setor privado entre 2003 e 2004, ela se recuperou a partir de 2005.
Não bastasse o ritmo da expansão da produtividade na administração pública ter sido superior ao do setor privado entre 1995 e 2006, constatou-se também que a produtividade média do funcionário público encontra-se acima da média do trabalhador ocupado no setor privado.
No período de tempo considerado, a produtividade na administração pública manteve-se superior à do setor privado, em média, acima de 35%. Em 2006, por exemplo, a produtividade foi, em média, 46,5% maior que a do setor privado, enquanto em 1995 era 45,1% superior.
Nessa medida utilizada, de produtividade na administração pública, tomou-se como critério a relação entre o valor agregado (contas nacionais do IBGE) e o emprego público (PNAD do IBGE). Ainda que se saiba da complexidade de medir eficiência e desempenho no setor de serviços, onde se encontra inserida a administração pública, considera-se a produtividade como uma medida confiável e consistente dentro da perspectiva do conceito de valor agregado definido pelo IBGE, que aplica a metodologia das Nações Unidas.
Nesse comunicado da presidência do IPEA pode-se observar também que além de a produtividade da administração pública ser superior e ter crescido acima da do setor privado, houve diferenciações importantes em termos de estados da federação e regiões geográficas. Inicialmente pelo fato de a produtividade na administração pública ter crescido somente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste entre 1995 e 2004. As demais regiões (Sul, Sudeste e Norte) registraram queda na evolução da produtividade na administração pública para o mesmo período de tempo.
Nesse mesmo sentido, nota-se a desigual evolução de desempenho no setor público por estados da federação. Roraima e Distrito Federal registraram os maiores ganhos de produtividade na administração pública. Na outra ponta da evolução da produtividade encontram-se os estados do Pará e Santa Catarina, com resultados negativos entre 1995 e 2004. Dentro desse leque de comportamentos tão distintos, observa-se que os estados da federação que levantaram a bandeira de choque de gestão administrativa, entendida como a introdução e difusão da lógica privada no setor público, registraram baixo dinamismo na produtividade.
A administração pública tem dinâmica específica, não combinando, necessariamente, com a lógica privada. Assim, percebe-se que a produtividade pública pode elevar-se com gestão própria e compatível com os princípios de funcionamento do Estado. Esse parece ser o caso da experiência recente da política governamental de recuperação do papel do Estado no Brasil. Isso vem ocorrendo por meio da difusão das novas tecnologias de informação que permitem certificações e licitações digitais, entre outras medidas. Tudo isso reduz o tempo dos serviços por unidade de tempo, aumentando o desempenho da administração pública.
Também a política de ampliação dos espaços de maior participação social, especialmente nos fundos e políticas públicas (saúde, educação, trabalho, assistência e previdência social, tecnologia, entre outros), como pelos conselhos e conferência nacionais, apoiam a avaliação e direcionamento do serviço público no país. Por fim, a capacitação e gestão de pessoal, bem com o aumento do emprego por conta dos concursos públicos, vêm contribuindo cada vez mais para a profissionalização da administração. Ou seja, os ganhos de produtividade na administração pública são produto do abandono da ideologia neoliberal.
Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de agosto. Nas bancas.
Por algum tempo perdurou não somente no Brasil, pois esteve repetida globalmente, a máxima de que o Estado era o lócus da improdutividade e ineficiência, enquanto somente ao setor privado cabia a maximização da eficiência. Sem apresentar estudos com informações consistentes, a ideologia levou ao máximo o programa de privatização e desmonte do Estado.
O recente comunicado da presidência do IPEA (n. 27) comprova que não há base real para qualquer afirmativa definitiva a respeito da improdutividade do Estado brasileiro. Pelo contrário pois, segundo o próprio comunicado, a medida de produtividade na administração pública em 2006 foi 14,7% superior à verificada em 1995.
No setor privado, os ganhos de produtividade foram 13,5% maiores no ano de 2006 quando comparados com 1995. Ou seja, a produtividade na administração pública cresceu um ponto percentual a mais que a do setor privado no período considerado.
Em síntese, verifica-se que a produtividade na administração pública apresentou-se mais do que compatível com o aumento das contratações dos ocupados pelo Estado. Após a queda da produtividade na administração pública em relação à do setor privado entre 2003 e 2004, ela se recuperou a partir de 2005.
Não bastasse o ritmo da expansão da produtividade na administração pública ter sido superior ao do setor privado entre 1995 e 2006, constatou-se também que a produtividade média do funcionário público encontra-se acima da média do trabalhador ocupado no setor privado.
No período de tempo considerado, a produtividade na administração pública manteve-se superior à do setor privado, em média, acima de 35%. Em 2006, por exemplo, a produtividade foi, em média, 46,5% maior que a do setor privado, enquanto em 1995 era 45,1% superior.
Nessa medida utilizada, de produtividade na administração pública, tomou-se como critério a relação entre o valor agregado (contas nacionais do IBGE) e o emprego público (PNAD do IBGE). Ainda que se saiba da complexidade de medir eficiência e desempenho no setor de serviços, onde se encontra inserida a administração pública, considera-se a produtividade como uma medida confiável e consistente dentro da perspectiva do conceito de valor agregado definido pelo IBGE, que aplica a metodologia das Nações Unidas.
Nesse comunicado da presidência do IPEA pode-se observar também que além de a produtividade da administração pública ser superior e ter crescido acima da do setor privado, houve diferenciações importantes em termos de estados da federação e regiões geográficas. Inicialmente pelo fato de a produtividade na administração pública ter crescido somente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste entre 1995 e 2004. As demais regiões (Sul, Sudeste e Norte) registraram queda na evolução da produtividade na administração pública para o mesmo período de tempo.
Nesse mesmo sentido, nota-se a desigual evolução de desempenho no setor público por estados da federação. Roraima e Distrito Federal registraram os maiores ganhos de produtividade na administração pública. Na outra ponta da evolução da produtividade encontram-se os estados do Pará e Santa Catarina, com resultados negativos entre 1995 e 2004. Dentro desse leque de comportamentos tão distintos, observa-se que os estados da federação que levantaram a bandeira de choque de gestão administrativa, entendida como a introdução e difusão da lógica privada no setor público, registraram baixo dinamismo na produtividade.
A administração pública tem dinâmica específica, não combinando, necessariamente, com a lógica privada. Assim, percebe-se que a produtividade pública pode elevar-se com gestão própria e compatível com os princípios de funcionamento do Estado. Esse parece ser o caso da experiência recente da política governamental de recuperação do papel do Estado no Brasil. Isso vem ocorrendo por meio da difusão das novas tecnologias de informação que permitem certificações e licitações digitais, entre outras medidas. Tudo isso reduz o tempo dos serviços por unidade de tempo, aumentando o desempenho da administração pública.
Também a política de ampliação dos espaços de maior participação social, especialmente nos fundos e políticas públicas (saúde, educação, trabalho, assistência e previdência social, tecnologia, entre outros), como pelos conselhos e conferência nacionais, apoiam a avaliação e direcionamento do serviço público no país. Por fim, a capacitação e gestão de pessoal, bem com o aumento do emprego por conta dos concursos públicos, vêm contribuindo cada vez mais para a profissionalização da administração. Ou seja, os ganhos de produtividade na administração pública são produto do abandono da ideologia neoliberal.
Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de agosto. Nas bancas.
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